A importância do Controle das Compras Hospitalares para a saúde da CME — Central de Material Esterilizado. - Notícias - AHEG - Associação dos Hospitais do Estado de Goiás

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A importância do Controle das Compras Hospitalares para a saúde da CME — Central de Material Esterilizado.

Publicado em : 28/04/2022

O Processo de Esterilização e a CME — “O coração de todo hospital”.

O processo de esterilização, enquanto ciência, possui menos de duzentos anos.

Após a descoberta da bactéria e com a consequente busca da morte microbiana, muito se evoluiu no campo microbiano e no processo de esterilização.

Até o início da década de 40, a desinfecção, o preparo e o armazenamento dos materiais eram realizados pela equipe de enfermagem das próprias unidades de saúde.

A dinâmica do serviço era descentralizada.

Em meados da década de 50, surgem os Centros de Materiais parcialmente centralizados e a CME semi-centralizada na qual parte dos instrumentos e materiais eram preparados e esterilizados. Onde cada unidade processava seus materiais e encaminhava para a esterilização em um único local.

Considerando o avanço tecnológico e a evolução do edifício hospitalar, especificamente na CME — a partir das últimas décadas do século XX — houve a necessidade de técnicas e processos de limpeza, preparo, esterilização e armazenamento de materiais e roupas mais aprimorados.

Consequentemente, a CME torna-se centralizada, com a supervisão de um enfermeiro e passa a ser definida como uma unidade de apoio técnico a todas as unidades assistenciais. Sendo responsável pelo processamento dos materiais, como a parte instrumental e as roupas cirúrgicas e a devida esterilização dos mesmos.

A Resolução RDC nº. 307, de 14 de novembro de 2002, considera a CME uma unidade de apoio técnico, que tem como finalidade o fornecimento de materiais médico-hospitalares adequadamente processados, proporcionando, assim, condições para o atendimento direto e a assistência à saúde dos indivíduos enfermos e sadios.

Com a estrutura centralizada das CME funcionando eficazmente, as taxas de mortalidade e de infecções hospitalares caem e resultados positivos são notados.

Segundo Maria Cristina Ferreira Quelhas, coordenadora da especialidade de enfermagem em centro de material esterilizado no Núcleo de Informática e Biomédica da UNICAMP:

“existem regiões onde os serviços de saúde são limitados ou inexistentes, onde as infecções são, por muitas vezes, não tratadas. As taxas de morte e a incidência de doenças infecciosas estão crescendo. Em países mais pobres, 50% de todas as mortes são derivadas das infecções.”

Considerando a evolução do ambiente da CME, é importante ressaltarmos:

· A padronização de normas e rotinas técnicas e a validação dos processamentos dos materiais e superfícies são essenciais no controle de infecção;

· É de extrema importância a atuação dos órgãos de fiscalizações para o controle e avaliação das normas e processos de trabalho;

· A capacitação dos profissionais envolvidos nos processos da CME

Referência: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/artigos/artigo_CME_flavia_leite.pdf


RDC 50

De acordo com a RDC nº. 50 (ANVISA, 2004, pág. 112), as condições ambientais necessárias ao auxilio do controle da infecção de serviços de saúde dependem de pré-requisitos de diferentes ambientes do EAS (Estabelecimento Assistencial de Saúde), quanto ao risco de transmissão da mesma.

Nesse sentido, delineia as:

  • Áreas críticas: são os ambientes onde existem riscos aumentados de transmissão de infecção, onde se realizam procedimentos de risco, com ou sem paciente ou onde se encontram pacientes imunodeprimidos;

A CME é uma área crítica e o seu planejamento de fluxo dos materiais e roupas é: recebimento de roupa limpa/material → descontaminação de material → separação e lavagem de material preparo de roupas e material → esterilização → guarda e distribuição, a barreira física que delimita a área suja e contaminada da área limpa minimizando a entrada de microorganismos externos.

RDC 15

Regulamentada em 15 de março de 2012, a RDC 15 (leia na íntegra) divide a CME em duas Classes:

- Classe 1: que realiza o processamento de produtos para a saúde não críticos, semicríticos e críticos de conformação não complexa, passíveis de processamento.

- Classe 2: que realiza o processamento de produtos para a saúde não críticos, semicríticos e críticos de conformação complexa e não complexa, passíveis de processamento.

Importante ressaltar que é possível a terceirização do processamento dos produtos para saúde desde que formalizado mediante contrato de prestação de serviço. E que, no caso dos materiais complexos, a limpeza automatizada (em equipamento de eficiência comprovada) deve ser precedida de limpeza manual.

Essa regulamentação aplica-se aos Centros de Material e Esterilização — CME dos serviços de saúde públicos e privados, civis e militares, e às empresas envolvidas no processamento de produtos para saúde.

De acordo com a resolução, o processamento de materiais deve ser divido por fases: limpeza, desinfecção e/ou esterilização para evitar, desta forma, contaminação cruzada entre materiais sujos e os já descontaminados.

A RDC 15 define rastreabilidade como a capacidade de traçar o histórico do processamento do produto para saúde e da sua utilização por meio de informações previamente registradas.

 

Qual o custo do processamento do PPS?

Agora que entendemos que a Central de Material Esterilizado (CME) é parte integrante do complexo hospitalar - inerente, indispensável e vital ao processo assistencial sendo uma unidade de apoio técnico, cuja finalidade é o fornecimento de produtos para saúde (PPS) adequadamente processados, proporcionando condições seguras para assistência à saúde dos indivíduos enfermos e sadios podemos nos questionar qual o custo deste processamento.

Dada a crescente elevação dos custos na saúde, as instituições hospitalares enfrentam um desafio constante, o que torna necessária aos profissionais da CME a aquisição de conhecimentos sobre conceitos e técnicas da contabilidade de custos como ferramenta para gestão dos recursos.

O gerenciamento de custo é um processo administrativo, que objetiva a tomada de decisão sobre a distribuição de recursos disponíveis de forma racionalizada e eficiente. Busca alcançar resultados que atendam às finalidades da instituição, por meio dos conhecimentos de análise econômica que oportunizem a escolha de decisões mais assertivas.

O desperdício na área de Saúde agrava as dificuldades financeiras já existentes em razão da escassez de recursos, e caracteriza-se pelos gastos desnecessários, pelo uso de recursos disponíveis de forma descontrolada, irracional e inconsequente na produção de processos, produtos ou procedimentos destinados à assistência aos clientes.

Para respondermos esta pergunta precisamos entender a estrutura de custos de todo o hospital, considerando todas as variáveis.

 

Centro de Custos e Estrutura da CME no hospital

 

Nesta analogia com a estrutura de uma árvore, encontramos os setores raízes, os de tronco e os que estão nos galhos e que precisam de todo o suporte dos mais abaixo.

O tronco, por sua vez, é essencial para a sustentação dos galhos e, em conjunto com as raízes, conduzem a seiva até eles.

Logo, os centros de custos intermediários ou auxiliares formam o tronco que sustenta e alimenta a produção dos frutos.

Podemos entender de forma simplificada como o setor de compras é essencial para a saúde de toda a organização, e ao entendermos que a CME é um centro intermediário que garante a segurança de toda a organização observamos a importância do abastecimento da central de forma contínua.

Entendermos os custos é entendermos o processo inicial de compras.

 

Compra de Materiais e Consignação

É imprescindível o abastecimento dos materiais da CME, e muitos deles podem ter investimentos altos, por isso muitas Centrais utilizam a consignação destes equipamentos de acordo com o uso e a constância.

Para respondermos qual o custo total de uma CME e se o investimento “se paga” precisamos conhecer a fundo nossas etapas e de fato o valor de cada item e dos processos.

Exemplo de caso: Custos de embalagens no processo de esterilização em uma CME

 

O empacotamento de Produtos Para Saúde (PPS) é a preparação do artigo para a esterilização, que consiste em envolvê-lo em embalagem compatível, tanto com o material, quanto com o processo de esterilização que será submetido.

Tendo objetivo de manter a esterilidade do produto durante o armazenamento e transporte, até o seu uso.

Sabe-se que a embalagem deve ser compatível com o método de esterilização específico, bem como, ser livre de ingredientes tóxicos, permitir a penetração e a remoção do agente esterilizante.

As principais embalagens utilizadas no mercado, atualmente, são: tecido de algodão e o papel grau cirúrgico.

O tecido de algodão é uma das embalagens mais antigas, ainda amplamente utilizadas para a esterilização em vapor saturado sob pressão em centros de esterilização de países com baixo nível econômico, apresenta barreira antimicrobiana e relação de custo-benefício favorável.

Já o papel grau cirúrgico é encontrado no mercado em forma de envelopes ou folhas de papel de diversas medidas, auto selante.

A elevação dos custos na saúde trouxe um desafio às instituições hospitalares, sendo a análise de custos, um instrumento fundamental para o controle dos recursos financeiros, materiais ou patrimoniais, dentro de uma instituição de saúde.

Este tema mostra-se essencial, uma vez que, para se estabelecer e permanecer no mercado competitivo, as instituições de saúde necessitam alcançar altos níveis de qualidade, eficiência e produtividade, eliminando desperdício e reduzindo custos.

Muitas CMEs utilizam as embalagens de algodão por serem reutilizáveis e desta forma acreditam ter uma redução de custos. Porém, com a análise técnica das compras x uso de materiais podemos conferir na pesquisa que intitula este capítulo Custos de embalagens no processo de esterilização em uma CME, realizada por Darlan dos Santos Damásio Silva 1 ; Erika Maria Araujo Barbosa de Sena 1 ; Eveline Vasconcelos 2 onde utilizaram o método de Custeio Baseado em Atividades, realizou-se a investigação no Centro de Processamento de Material e Esterilização e na Lavanderia Hospitalar de um Hospital-Escola de Alagoas. A coleta de dados foi realizada por meio de preenchimento de um formulário, a partir da observação direta das atividades realizadas com as embalagens de esterilização, tendo início em setembro de 2014 e término em março de 2015.

Como resultado, apresentaram:

O custo do processo de lavagem dos campos de tecido de algodão foi de R$ 33,69. Já as embalagens de grau cirúrgico custaram entre R$ 0,29 a R$ 0,68 variando de acordo com o tamanho. Para apreciação das informações levantadas, foi utilizada a análise descritiva dos dados, apresentadas por meio de tabulação.

E concluíram que:

Foi possível com o estudo, observar a importância da análise do custo-benefício das embalagens para esterilização, pois, foi observado que o tecido de algodão, apesar de ser reutilizado e aparentar ser mais econômico, mostra de fato um custo maior quando são conhecidos os gastos envolvidos em seu reprocessamento. Deste modo, a utilização de embalagens de grau cirúrgico torna-se uma medida mais econômica para a instituição, visto não haverem gastos com reprocessamento, assim como, o empacotamento demanda menos tempo de trabalho do profissional e são compatíveis com as mais variadas tecnologias de esterilização existentes no mercado.


Pontos importantes


Momento de Cotação

O setor de compras exerce um papel fundamental na redução dos custos hospitalares, e quando é um setor totalmente integrado e que utiliza plataformas de compra, gestão opme e ressuprimentos pode garantir uma segurança analítica a cada cotação.

Vejamos abaixo alguns itens de uso obrigatório e constante nas centrais:

Detergentes Enzimáticos, de 2 ou mais enzimas;
Detergentes Alcalinos e Neutros;
Indicadores Químicos Classe 4, Classe 5 e Classe 6 e Indicadores biológicos p/ Vapor Úmido ( alta temperatura ) e Peróxido de Hidrogênio ( baixa temperatura);
Grande portfólio de escovas de limpeza;
Lubrificantes Permeáveis a vapor d’água p/ instrumentais;
Removedor de oxidação p/ instrumentais;
Teste bowie & dick;
Teste para Lavadora e termodesinfectora;
Testes desafio p/ validações de autoclaves.

Qualificação do Fornecedor

Quando falamos em compras pensamos em prazos, taxas e em segurança de todas as formas dentro do processo. A qualificação de fornecedores e um maior acesso a diferentes possibilidades de oferta garantem que tenhamos uma análise de mercado atualizada e sigamos com negociações mais assertivas.

Desafios

  • Avaliação do custo pelo número de cirurgias
  • Avaliação das variações
  • Avaliação de pontos de melhoria e economia nos processos
  • Análise da geração de valor
  • Considerar a relação Consumo x Produção x Insumos.

Solução

Implementarmos uma cultura analítica nos setores de compras é de extrema necessidade e com a transformação digital na saúde já podemos ter acesso a plataformas SaaS (Software como Serviço) que são marketplaces e contam com uma rede de fornecedores muito maior do que normalmente temos acesso.

Uma maior oferta permite que analisemos as curvas de prioridade do setor, as variações constantes de preço e apresentações de embalagens como a agilidade no processo de cotação e qualificação destes fornecedores que já estão legalmente documentados na plataforma, garantindo uma maior segurança. Além, claro, da gestão de documentação para tais produtos específicos tanto por grupo como por subgrupo, garantindo e certificando a compra.

Podemos encontrar estas soluções no Síntese Revolution, a plataforma que revoluciona o setor de compras hospitalares e que se integra completamente ao seu ERP.

Com o Síntese Revolution é possível inclusive cotar itens que atualmente são consignados para que tenhamos novas perspectivas de preço.

Confira outros benefícios da utilização da plataforma:

  • Cotação Multi-Marcas
  • Cotação Multi-Embalagens
  • Divisão de Compra
  • Arredondamento automático
  • Gestão da Padronização de Marcas
  • Gestão Avançada de Documentação

Entre outros…

Conheça mais sobre a plataforma de compras Síntese Revolution, envie um e-mail para o endereço [email protected] e informe que leu nosso artigo na AHEG para ter uma apresentação personalizada de acordo com as suas necessidades.

 

 

 

 

 

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